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    Onde mundos se encontram em palavras.

    Heh.

    Uma risada escapou.

    Ummm! Ahhh!

    Ao ouvir os gemidos da esposa vindos do quarto principal, Do-kyung primeiro soltou uma risada boba.

    Logo depois, sentiu o sangue ferver ao contrário.

    Ele havia tirado alguns dias de folga e voado para o Canadá.

    O motivo era simples: encontrar a esposa e as duas filhas, de vinte e vinte e um anos.

    Família.

    A família era sua única justificativa e sua única força para trabalhar como um condenado na empresa.

    Voou até ali carregando apenas um papel com um endereço, acreditando que reencontrá-los lhe devolveria algum motivo para continuar vivendo.

    Mas o que era isso?

    Força?

    Motivo para viver?

    Chegando de madrugada, depois de horas na estrada, o que o recebeu foi vazio, desespero e raiva.

    Ele percorreu a casa com os olhos.

    Comparada ao apartamento de dois cômodos onde morava, aquela casa — que custava setecentos mil won por mês — parecia um palácio.

    Nada disso importou.

    Quase por instinto, foi até a cozinha, pegou uma faca e voltou para o quarto principal.

    — Ah! Eu te amo!
    — Mais! Me ama mais!

    — ……

    Ele foi obrigado a parar.

    A voz da esposa não era mero prazer físico.

    A emoção carregava o mesmo tom de quando ela falava com ele, anos atrás.

    Ali, ele entendeu.

    Ela amava, de verdade, o homem que estava com ela agora.

    Uma onda de humilhação esmagadora o atravessou.

    A mão que segurava a faca começou a tremer sem controle.

    — Dentro! Faz dentro de mim!

    Naquele instante, ouvindo os gemidos vindos do quarto, ele soltou uma risada oca.

    Nunca tinha ouvido aquelas palavras saírem da boca dela.

    Antes de ir ao Canadá, sua esposa sempre fora recatada.

    Mesmo durante o sexo, era passiva.

    Pedindo para fazer dentro…

    Aquilo era mesmo a sua esposa?

    A tontura veio de uma vez.

    A faca escorregou.

    Com um som seco, a ponta afiada cravou suavemente no assoalho de madeira.

    Do-kyung encarou aquilo em silêncio.

    Depois, virou o corpo, fraco.

    Saiu pela porta e começou a andar sem rumo.

    Alguns passos depois, uma vertigem o atingiu.

    Ele caiu ali mesmo.

    Talvez eu não devesse ter vindo…

    Arrependeu-se de ter vindo ao Canadá.

    Arrependeu-se de ter antecipado o voo por causa de um erro de reserva da companhia aérea.

    Originalmente, chegaria no dia seguinte.

    Mas uma ligação urgente veio, ele se atrapalhou e decidiu que queria passar ao menos mais um dia com a família.

    Mudou o voo.

    E acabou ali.

    Ergueu o olhar para o céu.

    Cruelmente, estava limpo.

    O azul impecável parecia rir dele.

    — Haha…

    Ele soltou uma risada vazia e se levantou devagar dos degraus.

    Nesse momento, um conversível da Empresa B parou suavemente à sua frente.

    O motorista era um jovem de aparência abastada.

    Ao estacionar, duas mulheres — provavelmente suas namoradas — beijaram suas bochechas antes de descer.

    No instante em que pisaram no chão, ele reconheceu.

    Seo Eun-jin. Seo Eun-kyung.

    Eram suas filhas.

    As duas passaram rindo, sem sequer olhar para ele.

    O pai estava ali, diante delas.

    E não foi reconhecido.

    — Hehehehehe…

    A risada, antes contida, escapou.

    Ele voltou a andar, cambaleante.

    Após algum tempo, avistou uma ponte alta.

    Sem perceber, dirigiu-se a ela.

    Devo morrer?

    A tentação surgiu de repente.

    Ele assentiu para si mesmo.

    — Não é uma má escolha…

    Essa não era a vida que queria.

    A esposa gemendo palavras vulgares nos braços de outro.

    As filhas incapazes de reconhecer o próprio pai.

    Havia algo mais miserável que isso?

    Em um mundo onde viveu trabalhando apenas pela família, tudo se tornara inútil.

    Até a vontade de viver parecia ter sido arrancada.

    No vazio, uma sensação profunda de perda se instalou em silêncio.

    Ela tomou o lugar de tudo o que faltava.

    E passou a comandar a casa.

    Ele subiu no parapeito como em transe.

    — Com essa altura… devo morrer na hora.

    Parecia ter uns vinte metros.

    Ele não sabia nadar.

    Dessa altura, não precisaria continuar vivendo essa vida miserável.

    — Vamos lá…

    A decisão se formou.

    Ele soltou o corrimão.

    Whoosh!

    Com a cabeça apontada para baixo, o rio se aproximou rápido.

    Thud!

    Splash!

    Uma dor vertiginosa explodiu em seu rosto.

    A consciência começou a se apagar.

    [Pobre alma… A Deusa Gaia decidiu lhe conceder mais uma chance. Desta vez, viva como quiser, liberando todos os seus desejos…]

    Ao ouvir aquela alucinação distante, Do-kyung finalmente perdeu a consciência.

    Aos quarenta e dois anos, ele cometeu suicídio.

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